Ansiedade e Ataques de Pânico

Preocupação difícil de controlar, estado de alerta constante, ataques de pânico. Psicologia clínica em Carcavelos, Cascais, e online.

Quando a ansiedade deixa de ser pontual e começa a interferir com o dia a dia, pode tornar-se difícil desligar, descansar ou sentir-se seguro mesmo quando não existe uma ameaça imediata.

A ansiedade faz parte da vida e, em muitas situações, tem uma função importante: ajuda-nos a antecipar dificuldades, a preparar uma resposta e a estar atentos ao que acontece à nossa volta.

O problema não é sentir ansiedade.

É quando ela se torna demasiado frequente ou intensa, difícil de controlar, ou começa a condicionar aquilo que faz, aquilo que evita e a forma como vive o seu dia a dia.

Pode sentir que está constantemente em alerta, mesmo quando racionalmente sabe que não existe um perigo imediato. Pode ser difícil desligar os pensamentos, descansar verdadeiramente ou deixar de antecipar aquilo que poderá correr mal. E, quando isto se prolonga, o desgaste pode ser significativo — emocionalmente, cognitivamente e também no corpo.

Como se pode manifestar

A ansiedade não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas, e não precisa de reconhecer todos estes sinais para que esteja a ser difícil para si. Pode surgir através de:

Algumas destas manifestações podem também ter outras causas. Quando os sintomas físicos são novos, intensos ou diferentes do habitual, é importante que sejam avaliados por um profissional de saúde.

Quando a ansiedade começa a ocupar demasiado espaço

Sentir-se ansioso antes de uma entrevista, de uma decisão importante ou de uma conversa difícil não significa ter uma perturbação de ansiedade.

A ansiedade torna-se particularmente relevante do ponto de vista clínico quando é excessiva ou persistente, difícil de controlar e interfere de forma significativa com o bem-estar, o trabalho, o sono, as relações ou outras áreas importantes da vida.

Por vezes, começa também a organizar a vida à sua volta.

Deixa de ir.

Adia.

Evita determinada conversa.

Procura garantias repetidamente.

Verifica.

Prepara-se excessivamente.

Tenta controlar todas as possibilidades.

Estas respostas fazem sentido: quando alguma coisa provoca ansiedade, afastar-se dela tende a produzir alívio. O problema é que esse alívio pode ser apenas temporário.

Ao evitar sistematicamente aquilo que teme, diminui também a oportunidade de descobrir que pode tolerar a ansiedade, que aquilo que antecipou pode não acontecer ou que consegue lidar com a situação mesmo sentindo desconforto.

É uma das razões pelas quais o evitamento pode contribuir para a manutenção da ansiedade ao longo do tempo.

Porque é que a ansiedade se mantém?

Não existe uma única explicação.

A investigação aponta para a interação entre fatores biológicos, psicológicos e ambientais. A predisposição individual, as experiências anteriores, períodos prolongados de stress, a forma como interpretamos determinadas situações e as estratégias que desenvolvemos para nos protegermos podem contribuir, de formas diferentes, para a ansiedade.

Por isso, em consulta, não parto do princípio de que existe uma causa escondida que é preciso encontrar. Procuro compreender como a ansiedade funciona no seu caso.

O que a desencadeia?

O que pensa quando aparece?

O que sente no corpo?

O que faz para tentar que desapareça?

O que evita?

O que lhe proporciona alívio naquele momento — mas poderá estar, sem perceber, a manter o problema?

E também importa compreender a sua história e o contexto em que vive, sempre que estes forem relevantes para aquilo que está a acontecer hoje.

O objetivo não é encaixá-lo numa explicação. É construir consigo uma compreensão que faça sentido para si e que permita perceber onde é possível intervir.

Ataques de pânico

Um ataque de pânico é um episódio súbito de medo ou desconforto intenso, acompanhado por alterações físicas e cognitivas que podem ser extremamente assustadoras.

Pode incluir:

Os sintomas tendem a aumentar rapidamente e, precisamente porque são tão físicos, é comum interpretá-los como sinal de que alguma coisa grave está a acontecer. É também por isso que muitas pessoas procuram inicialmente uma urgência médica.

Quando um episódio deste tipo acontece pela primeira vez, quando os sintomas são diferentes do habitual ou quando existe dúvida sobre uma possível causa física, é importante procurar avaliação médica. Sintomas semelhantes aos de um ataque de pânico podem ocorrer noutras condições de saúde e não devem ser automaticamente atribuídos à ansiedade.

O medo de voltar a ter medo

Depois de um ataque de pânico, pode surgir outra dificuldade: o receio de que volte a acontecer.

Começa a prestar muito mais atenção ao corpo. Um coração ligeiramente mais rápido, uma tontura, uma alteração na respiração ou uma sensação de calor podem passar a ser interpretados como sinais de que outro ataque está prestes a começar.

E essa interpretação aumenta a ansiedade.

A ansiedade intensifica as sensações físicas.

As sensações parecem confirmar que existe perigo.

E o medo aumenta novamente.

A investigação sobre perturbação de pânico tem encontrado suporte consistente para a importância destas interpretações catastróficas das sensações corporais na manutenção do ciclo de pânico.

É também frequente começarem os evitamentos:

«E se acontecer enquanto conduzo?»

«E se estiver num sítio de onde não consigo sair?»

«E se acontecer à frente de outras pessoas?»

«E se estiver sozinho?»

Pouco a pouco, o medo do próximo ataque pode passar a condicionar mais a vida do que o próprio ataque.

Como se trabalha em consulta

Não existe uma intervenção igual para todas as pessoas.

O primeiro passo é compreender aquilo que está a acontecer consigo: quando começou, em que situações surge, quais são os pensamentos e sensações mais difíceis, o que tende a evitar, como procura sentir-se seguro e de que forma a ansiedade está a interferir na sua vida.

A partir dessa compreensão, definimos em conjunto o que poderá fazer sentido trabalhar. Dependendo da situação, o acompanhamento pode incluir:

Nas perturbações de ansiedade e, particularmente, na perturbação de pânico, as intervenções cognitivo-comportamentais têm uma base de evidência robusta. A exposição, incluindo a exposição às próprias sensações corporais quando clinicamente indicada, constitui um dos componentes relevantes no tratamento do pânico.

Isto não significa obrigá-lo a enfrentar aquilo que teme de uma vez. O trabalho é planeado, gradual e adaptado ao que consegue tolerar, procurando que possa adquirir novas experiências e deixar progressivamente de organizar a sua vida em função da ansiedade.

E a história de cada pessoa?

Nem toda a ansiedade significa que existe um trauma por resolver. E nem toda a ansiedade nasce da mesma experiência.

Mas aquilo que viveu pode ser relevante.

Se cresceu num contexto imprevisível, se aprendeu que precisava de estar constantemente atento ao que os outros sentiam, se passou por acontecimentos ameaçadores ou se vive atualmente sob níveis elevados de stress, isso pode fazer parte da compreensão do que está a acontecer.

Quando a história é relevante, há espaço para a trabalhar.

Quando não é, não é necessário procurar uma explicação no passado para justificar aquilo que sente hoje.

O importante é perceber o que está a manter o sofrimento agora e o que poderá ajudá-lo a viver de outra forma.

Quando pode fazer sentido procurar apoio

Pode ser importante procurar acompanhamento quando percebe que a ansiedade:

Não precisa de esperar que a ansiedade se torne insuportável para pedir ajuda.

E também não precisa de chegar à consulta já a saber exatamente o que se passa.

Perguntas frequentes

Preciso de medicação?

Nem todas as pessoas com ansiedade ou ataques de pânico precisam de medicação.

A psicoterapia e a medicação são opções terapêuticas com evidência para determinadas perturbações de ansiedade, e a escolha depende da intensidade dos sintomas, do impacto na vida quotidiana, das preferências pessoais, de tratamentos anteriores e de outros fatores clínicos.

Enquanto psicóloga, não prescrevo medicação. Se durante o acompanhamento considerar que poderá beneficiar de uma avaliação médica ou psiquiátrica, conversarei consigo sobre essa possibilidade para que possa tomar uma decisão informada.

Se já estiver medicado, qualquer alteração deverá ser discutida com o médico que acompanha a prescrição.

Quanto tempo demora até me sentir melhor?

Não é possível definir antecipadamente um prazo igual para todas as pessoas.

A duração do acompanhamento depende da natureza das dificuldades, de há quanto tempo estão presentes, do impacto que têm na sua vida, da existência de outras dificuldades associadas e dos objetivos definidos em consulta.

Ao longo do processo vamos avaliando o que está a mudar, o que continua difícil e se aquilo que estamos a fazer continua a fazer sentido.

E se tiver um ataque de pânico durante a consulta?

Pode acontecer, e não precisa de ter vergonha nem de tentar escondê-lo.

Se surgir uma crise durante a sessão, há espaço para parar e perceber consigo aquilo que está a acontecer naquele momento. Na realidade, poder observar em segurança as sensações, pensamentos e respostas que surgem pode também fornecer informação importante para compreender melhor o ciclo da ansiedade.

Se os sintomas sugerirem que poderá existir uma situação médica que necessite de avaliação, essa possibilidade será tratada como tal.

Esta página tem caráter informativo e não substitui uma avaliação psicológica, psiquiátrica ou médica. A presença de alguns dos sintomas descritos não permite, por si só, estabelecer um diagnóstico.