Esgotamento profissional, exaustão, incapacidade de parar. Psicologia clínica em Carcavelos, Cascais, e online. Não é falta de capacidade nem de vontade.
O esgotamento raramente chega de repente. Instala-se devagar, muitas vezes em quem sempre conseguiu dar conta de tudo — e é precisamente por isso que custa tanto admitir.
Não é falta de capacidade nem de vontade. É o resultado de aguentar, durante demasiado tempo, aquilo que não era para ser aguentado sozinho.
Cansaço resolve-se com férias. Esgotamento não — muita gente descobre isso ao voltar de duas semanas de férias exatamente na mesma. É essa a diferença, e costuma ser o momento em que as pessoas percebem que precisam de ajuda.
O esgotamento tem três componentes que costumam aparecer juntos: a exaustão, o afastamento emocional de tudo o que envolve o trabalho, e uma sensação persistente de incompetência em alguém que é, objetivamente, competente.
Esta é normalmente a parte mais importante, e a que as pessoas menos esperam. Parar implica pôr limites, delegar, desiludir alguém, aceitar não ser indispensável. Para muita gente isso é mais ameaçador do que continuar exausto.
Se dar tudo sempre foi a forma de ter valor, parar não é descansar — é arriscar deixar de valer. É aí que costuma estar o que realmente sustenta o esgotamento, e é aí que o trabalho tem de chegar para a coisa não voltar.
Primeiro travar a hemorragia: perceber o que está a consumir e o que pode parar já, mesmo que de forma imperfeita. Nesta fase o objetivo não é reconstruir nada, é deixar de perder.
Depois o mais difícil: olhar para o que faz com que seja tão difícil parar, pôr limites ou pedir ajuda. É um trabalho gradual e não é linear — há semanas em que se avança e semanas em que parece que se recuou.
Quem passa uma baixa é o médico. O que posso fazer é ajudar a perceber o que precisa, e a preparar essa conversa — com o médico e, se for o caso, com a entidade empregadora.
Às vezes é. Nem tudo se resolve com regulação emocional, e há contextos que são genuinamente insustentáveis. Nesses casos o trabalho é outro: perceber o que é possível mudar, o que não é, e o que fazer com essa informação — incluindo a hipótese de sair.
A recuperação é gradual e não é linear. Os primeiros meses são de travagem, não de reconstrução — e essa fase é mais longa do que a maioria das pessoas espera.