Tristeza persistente, sensação de vazio, perda de vontade e de interesse. Psicologia clínica em Carcavelos, Cascais, e online. Não é preguiça.
Nem sempre a depressão aparece apenas como tristeza. Pode surgir como apatia, irritabilidade, isolamento ou a sensação de que nada desperta interesse.
Não é preguiça nem falta de gratidão. É um estado que retira precisamente aquilo de que se precisaria para sair dele — a energia, o interesse, a esperança de que valha a pena tentar. E costuma vir acompanhado de culpa por se estar assim, o que só fecha mais o círculo.
Muita gente demora a procurar ajuda porque não se reconhece na palavra depressão. Não anda a chorar, não está de cama, continua a ir trabalhar. O que sente é outra coisa: uma indiferença que se instalou, irritação com tudo, ou a sensação de estar a assistir à própria vida de fora.
Estar funcional não significa estar bem. Aguentar a rotina custa muito mais do que parece a quem vê de fora, e é essa a parte que raramente se conta.
Quase toda a gente que chega assim traz a mesma frase: não tenho razões para me sentir desta maneira. Como se fosse preciso uma justificação suficientemente grave para ter direito a sentir-se mal.
Essa culpa não é um detalhe. É parte do que mantém o estado de pé, porque acrescenta ao peso a ideia de que se está a falhar em algo que devia ser controlável. Não é.
Não se começa por exigir vontade, porque é exactamente isso que está em falta. Começa-se pelo que é possível fazer sem ela, por perceber o que se apagou e quando, e por devolver devagar algum sentido de possibilidade.
O ritmo é sempre ajustado ao que consegue nesse momento, e não ao que devia conseguir. Objectivos demasiado grandes numa fase destas costumam servir apenas para confirmar a sensação de fracasso.
É um trabalho de meses, com altos e baixos. Os primeiros sinais costumam ser pequenos e fáceis de desvalorizar — voltar a ter vontade de uma coisa, aguentar um dia mau sem que ele arraste a semana.
Não há uma linha a partir da qual passa a contar. O que costuma distinguir uma fase de outra coisa é a duração e o alcance: quando já dura há semanas ou meses e começou a afectar o sono, o trabalho e as relações, vale a pena falar com alguém. Não precisa de ter a certeza antes de marcar.
Isso é uma decisão médica, não minha — quem prescreve é o médico de família ou o psiquiatra. Há situações em que a medicação cria espaço para o trabalho psicológico acontecer, e outras em que não é necessária. Se achar que faz sentido avaliar, digo-lho.
É o sintoma, não a falta de interesse. Não vou pedir-lhe motivação que não tem — parte do trabalho é precisamente construir as condições para que ela volte. Se lhe custar sair de casa, começamos online.