Quando as relações acabam sempre da mesma maneira

Relações que se repetem, medo do abandono, emoções difíceis de regular. Psicologia clínica em Carcavelos, Cascais, e online.

Experiências difíceis podem continuar a influenciar a forma como se protege, se relaciona e reage no presente, mesmo quando sabe racionalmente que o passado já terminou.

Quando as relações acabam sempre da mesma maneira, é natural concluir que o problema é nosso. Raramente é assim tão simples.

Se alguma coisa disto lhe soa familiar

Os padrões aprendem-se cedo

Aprendemos muito cedo o que esperar dos outros e o que é preciso fazer para sermos aceites — calar, agradar, antecipar, afastar primeiro para não sermos afastados. Essas aprendizagens fizeram sentido quando surgiram, e continuam a funcionar em silêncio muito depois de terem deixado de nos servir.

É por isso que a mesma coisa acontece com pessoas diferentes. Não é falta de sorte na escolha: é o padrão a repetir-se.

Sentir com muita intensidade

Sentir tudo com uma intensidade que os outros parecem não perceber é solitário. O medo do abandono, a sensação de vazio quando se está só, o arrependimento a seguir a reagir — nada disto é fraqueza de carácter nem excesso de drama. É uma forma de sentir que tem uma história.

É o tipo de experiência que por vezes é descrita como perturbação da personalidade borderline, ou estado-limite. Se já ouviu esse nome, saiba que não define quem é — e que existe trabalho terapêutico com resultados consistentes nesta área.

O que fazemos em consulta

Em vez de julgar as respostas, procuramos compreender como surgiram e o que continuam a tentar proteger — porque um padrão que persiste está, de alguma forma, a proteger de alguma coisa. Quando se torna visível, começa também a ser possível experimentar outras formas de agir.

Quando as emoções são muito intensas, o foco está na regulação: reconhecer a emoção antes de ela tomar conta, ganhar margem entre o sentir e o agir, e trabalhar o medo do abandono na própria relação terapêutica, que é onde ele aparece de forma segura.

É um trabalho de fundo. Costuma dar frutos ao longo de meses, não de semanas, e exige constância — a estabilidade constrói-se com continuidade.

Perguntas frequentes

O problema sou eu?

É a pergunta com que quase toda a gente chega, e a resposta honesta é que a pergunta está mal posta. Há padrões seus que se repetem e que vale a pena perceber; isso não é o mesmo que o problema ser seu, nem torna aceitável o que os outros fizeram.

Faz sentido vir sozinho, se o problema é a dois?

Faz. Não trabalho terapia de casal, mas o que traz para a consulta é a sua parte — e mudar a sua parte muda a dinâmica. Se em algum momento achar que fazia mais sentido um acompanhamento de casal, digo-lho.

Já me disseram que sou demasiado intenso. Isso muda?

A intensidade com que sente não é para ser desligada. O que se trabalha é a margem entre sentir e agir, que é o que costuma fazer a diferença nas relações — e essa margem constrói-se.